O Dia dos Pais – Visto do outro lado ( Parte 2 )

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DICA de música: Eu quero amar
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Algumas coisas guardadas na memória:

– Duas das meninas são irmãs, entre as quatro, têm 9 irmãos. Uma outra garota têm mais 9 irmãos. E a outra menina, das quatro que estavam lá, tem mais 5 irmãos. Só aí são 23 crianças entre 3 famílias que moram naquela comunidade.

– Elas ficam soltas, livres, quase a própria sorte, brincando na rua, na calçada, sem a atenção de maiores e responsáveis.

– As crianças não aparentam receber tanto cuidado, atenção; quando voltávamos da igreja para levá-las de volta mais várias crianças estavam lá, em volta de uma fogueira gigante, sozinhas, e era por volta de 21h.

– No mesmo dia, antes de ir ao culto vimos uma Senhora que mora praticamente dentro do esgoto, mas muito grata. Ela recebeu uma ajuda com o assoalho do barraco, que para mim parecia cair a qualquer momento, e ela agradecia porque aquela ajuda na semana só podia ser de Deus… Que exemplo!

– As crianças são cativantes. A menorzinha abre os braços para todos, e todos querem abraçá-la. Ela comia um lanche que recebem ao fim do culto e eu pude ver, sentir, essa carência, no meu braço enquanto cuidava dela.

– Ainda na saída da igreja… uma menina escorregou e bateu em uma outra que deixou cair seu lanche. Fiquei paralisado, com coração quebrado. Essa, em especial me marcou muito… ela me pediu outro lanche e não tinha mais… fiquei sem ação. Mas sabe como é criança, logo estava correndo com os outros…

– Uma delas, quando perguntada sobre o pai, disse: “está preso, há uns 2 anos”. Outras têm cenas de violência na mente, brigas e muitas coisas ruins.

– No caminho de volta para casa delas, uma menina, se orgulhava e com direito sobre seu comportamento: “me comportei néh tio?“ Uma outra disse que aonde ela mora não é bem assim, mas conversando disse que ela também poderia se comportar lá mas o bom é que hoje tinha se comportado, e ela ficou pensando.

– A menina que perdeu o pão é a excluída da turma. É a “pele branca”… Diferente… Não por isso, mas se estivesse em outra estrutura social seria uma modelo, fácil! Não que considere importante, mas esse é o estereótipo de beleza da sociedade. Principalmente a ala feminina.

– Essa menina, linda sim, mas simpática, educada, ela nos esperava na volta, olhava para nós antes de atravessar, como se perguntasse: “pode?“ Parece que ansiava por proteção… “ ela foi a última a entrar, ir para casa… Na calçada, ela olhou e meu pai disse para ela ir. Foi uma despedida marcante. Olhávamos sempre pra trás e ela demorou para entrar também olhando pra nós… acho que eu queria dizer: Por mim… você é bem vinda – pode ficar !

confesso que pela primeira vez na vida pensei em um dia adotar uma criança… foi especial esse dia… quero, ainda mais agora, ajudar comunidades…
Se não está entendendo, VEJA a Parte 1

Aguarde! Na parte 3: as minhas considerações sobre essas crianças…

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