Doente x pecador

Se você diz que vai curar um devasso como se cura um asmático,
minha resposta fácil e óbvia é esta:
– apresente as pessoas que querem ser asmáticas uma vez que muitas querem ser devassas.

Um homem pode ficar deitado inerte e curar-se de uma enfermidade.
Mas ele não pode ficar deitado inerte se quiser curar-se de um pecado.
Pelo contrário, ele precisa levantar-se e correr por aí feito louco.

A questão toda de fato está expressa à perfeição na própria palavra usada para quem está hospitalizado;
“PACIENTE” tem um sentido PASSIVO;
“PECADOR” tem um sentido ATIVO.

Se um homem quiser se salvar de uma gripe, ele pode ser paciente
Mas se quiser se salvar de uma falcatrua, ele não pode ser paciente, tem de ser impaciente.
Ele deve sentir-se impaciente com a falcatrua. Toda reforma moral começa na vontade ativa, não na passiva.

Se quisermos, como os santos orientais, meramente contemplar como as coisas estão certas,
naturalmente devemos apenas dizer que elas estão certas.
Mas se quisermos particularmente fazê-las dar certo,
precisamos insistir que elas podem dar errado.

A falácia de todo esse caso é
que o mal é uma questão de escolha ativa,
ao passo que a doença não é.

Extraído do Livro: Ortodoxia (G. K. Chesterton)
pg. 226

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