Os gritos em minha vida.

Eu li um texto e depois acabei lembrando de algumas histórias em minha vida. Gostaria de compartilhar.

Ainda muito pequeno, eu tinha bronquite, ou seja, não podia beber nada gelado e muito menos me expor no vento gelado. Mas um dia, lembro-me que vi meu pai discutindo com minha mãe na cozinha, não gostava daquilo, tinha medo. Então, eu saí para fora e estava ventando muito. Recordo ter ouvido minha mãe perguntar por mim, procurando-me. Eu sabia que não devia estar lá fora, mas não suportava vê-los brigando, falando alto, gritando…

Já com uns 7 ou 8 anos, morávamos com meus avós, e minha mãe já estava separada do meu pai. Lembro-me que ficava muito quieto. Se alguém falasse alto, daí que eu fazia questão de nem falar para não dar motivo das pessoas brigarem comigo. Eu tinha medo até quando estavam estressados… eu ficava quieto no meu mundo.

Ainda na casa com meus avós, por volta dos 9 anos, eu estava na terceira série e uma professora, gritou comigo na frente de toda a sala e os meus coleguinhas. Ela soube que eu contei para minha irmã de algo que a nossa turma iria fazer supresa para a escola, mas eu não contei por mal, nem tinha me dado conta que não devia falar nada. E na verdade nem me lembro contando. E ela gritou comigo na frente de toda a sala… – Até hoje não esqueci o nome da professora e tenho o esboço da cena na minha mente… eu a perdoei… todos erram.

Cresci com medo. Medo de brigas. Talvez isso explique meu silêncio. Minha preferência por não arranjar problemas para mim. calando-me.

Aos 17 anos, conheci Jesus. Tive um encontro pessoal com ele. Entreguei minha vida a Ele e comecei a ouvi-Lo falar comigo. Então, descobri que Jesus também gritou. Na cruz, disse em alta voz: “Eloí, Eloí, Lamá Sabactâni…” Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste… talvez fosse o grito do Filho pelo Pai. Era um grito de dor mas era um grito de liberdade.

Desde então minha vida tem sido transformada. Não tenho me contentado em fugir dos gritos das pessoas, mas tenho as procurado em amor. Reconheço que há alguns traços e talvez essa história explique isso:

– Muitas vezes, quando tenho alguma palavra de Deus para compartilhar na célula ou culto, prefiro falar alto, forte, prefiro gritar. E entendi que quando grito não é para os outros, mas para mim… porque a força do que grito é o ânimo e chacoalhão que preciso também.

– Percebo que ainda evito gritos, não gosto de falar alto e nem que me chamem gritando. Chego a ficar bravo e não responder quando isso acontece.

– Percebo que as vezes quero ajudar as pessoas a se animarem, a terem forças e penso em falar com elas gritando, motivando, um grito de “forçaaa, vamosssss”, um grito de “tô contigo”, você não está sozinho(a)…

– Percebo que me calo diante das palavras brandas de Cristo.

– Aliás percebo Jesus muitas vezes sussurando aos meus ouvidos… me lembro de ouvir Deus gritando uma palavra ao meu coração apenas no fim de 2010, das outraz vezes Sua voz foi branda ao trazer algo ao meu coração ou algum entendimento da sua palavra.

Não sei o quanto o grito vai ajudar seu filho, funcionário ou amigo.
Acredito que se você gritar para impor medo, para repreender, certamente isso ficará marcado na vida da pessoa.

Grite sim… grite para dizer que ama. Que está presente, Que está com ele(a).
Grite sim… para dizer a ele: não desista!!! Para dar forças… para que outros vejam que você os ama.

Apesar disso tudo, estou preparado. Se gritarem eu enfrentarei com silêncio e amor…

abss

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